sábado, 27 de agosto de 2011

Luzes

Quem parou as luzes?
Eu quero os lasers
O preto e o branco
O esconderijo e a verdade.
Quero o barulho
Que faz eu me esquecer
E lembrar de você.

Quem escondeu os vinhos?
E onde você estava noite passada?
Te quero bem, te quero alegre.
Sentir a batida do seu coração
Em meio à multidão.
Ter-te, sem motivo ou explicação.
Só uma noite sem "não"

Por que fechar os olhos?
Estou tão vidrado
Que me deitar parece besteira.
Quero o sim e não quero o não.
Um só dia ceder à tentação
Da batida do seu coração
Na tremeluzente multidão.

[Fernando M. Minighiti][27.08.2011][05:27 a.m.]


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Perdão (Uma análise do que andei fazendo)

Basta.
Longe demais arrisquei-me a chegar.
A ousadia sem limites
Foi um veneno nas minhas entranhas.
Percorri terrenos em que, são, não percorreria.
E agora tudo aqui está em carne viva
Pulsando. Vivendo, ainda.

Vermelha era minha tola esperança,
Natimorta no útero deformado
Do meu desesperado coração.
Indigna, imprecisa.
Forte, latente.
Mas agora está aprisionada,
Para que não estrague o caminho à frente.

Por mais que ela ainda viva
Acuada, medrosa e escondida
Será escondida toda a sua vida.
Será um coração dentro de meu coração.
Algo sóbrio, silencioso
Que esperará, sem esperança, mas sempre ansioso,
Mesmo sabendo que a espera será somente uma espera.

Perdoe-me! Perdoe-me!
Meu egoísmo te sufoca.
Te afronta, impiedosamente te explora.
Esta é a minha culpa.
Aqui é minha rendição.
E espero eu mesmo poder cicatrizar-te
E assim redimir-me, então.

[Fernando M. Minighiti][19.08.2011][18:58]


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Incêndio.

Sinto-me beirando a perdição. A diferença agora é que eu sei que estou são. Lúcido. Isso torna as coisas muito piores. A sensação de desnorteamento se intensifica, como uma névoa densa que impede a visão do que o próximo passo aguarda. E isso é torturante. Saber que você estava perto demais do fim de todas as suas dúvidas, mas que estava cego demais para notar todos os mais discretos sinais, atordoa-me. Quero voltar no tempo. Quero fazer o Tic-tac virar Tac-tic. Quero torcer os fatos aos meus desejos. Quero moldar minha vida, e as de quem estão perto o suficiente de mim. Quero correr os mínimos riscos, mesmo sabendo que somos muito  mais que isso. Não posso fazer essa brasa se intensificar, mas também não posso deixá-la desaparecer. Ela é minha esperança proibida. Quero um incêndio. Sim, um incêndio, porém controlado. Quero o proibido. Quero a tentação. Quero tentar, em quaisquer sentidos da palavra. Entretanto, não quero nada extraordinário. Quero respostas - simples assim. Quero atos. Quero um dia, talvez dois. Não quero a eternidade. Não quero um amor. Quero resolver questões. Mas não quero ferir a nada, a ninguém. Estas são as últimas linhas detalhadas e claras. A última espoxição de meu ponto de vista lamentavelmente parcial e tendencioso. Entretanto, por muito tempo, habituei-me a me contentar com o pouco que conseguia. Se esse não for um momento em que eu finalmente conseguirei um pouquinho mais, respirarei fundo. Não será a primeira vez. Carregar essa dúvida por mais algum tempo será a solução, então, para o bem maior: A felicidade e o bem estar da convivência de dois, três e quatro vidas que espero estarem irremediavelmente interligadas.

[Fernando M. Minighiti][17.08.2011][21:55]


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Consequência do desespero

Julgue-me, não lhe impedirei.
As cartas estão à mesa
E meu sangue profuso goteja
Dolorosamente verdadeiro.

Posso até prever nitidamente
O choque em seus olhos.
A última coisa que queria era vê-los assim.
Mas pago as consequências pelo que fiz.

Acontece que você é minha doença
E minha cura, também.
É a chave da insanidade
Sem a qual não sei viver.

Ver-te assim me angustia
E me assusta. Há algo que posso fazer?
Perdoe-me. Honestamente
Não sei como isso foi acontecer.

Peço-lhe que nunca se deixe macular
Como eu um dia deixei.
Lhe imploro que permaneça sempre inteiro
Por que o meu lugar é o desespero.

[Fernando M. Minighiti][08.08.2011][09.09]


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Análise

Eu sou o Sol que se põe.
Sou a caveira que sobrou.
Vocês são brilhantes, felizes. Você é completo.
Eu sou a metade.
O meio sentimento.
O quase feliz.
O limiar da loucura.
Sou o oposto do sorriso,
sou a vida pacata.
Sou a conformidade encarnada.
A infelicidade humana.
Sou de poucas palavras.
O senhor do medo.
Aliado do segredo.
Sou o sangramento.
Sou o impossível estancamento.
Sou a ferida, a hemorragia.
Sou doença.
A morte.
Eu sou o desespero.
Sou a solidão.
Sou o enterro da esperança.
Sou insegurança.
Eu sou a noite sem estrelas.
Sou a lua sem brilho.
Eu sou o fim do caminho.
Sou alguém perdido.
Sou sinonimo de desperdício,
o anti socialismo.
Sou a saudade.
Sou ansiedade.
Eu sou o anormal.
Sou o lado mau.
Anti-filosofia,
Vivo da nostalgia.
Sou tristeza.
Sou o desejo.
Eu sou a fraqueza que desalenta.
Eu sou o órfão,
sou carente.
Sou doente.
Vivo maquinalmente.

[Fernando M. Minighiti][05.08.2011][18:22]


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Depois de tudo

Então, a questão se resumi nisso, não? Os últimos três anos foram uma mentira e um desperdício quase completos. Depositei minha fé nas pessoas erradas. Sofri inutilmente. Trilhei caminhos tortuosos que me levaram a lugar algum. Amei quem não merecia ser amada, ajudei quem queria permanecer inalterado. Tentei, infantilmente, encontrar em outros a falta que sinto aqui dentro, quase sólida em meu peito. Não me orgulho de minha tolice: Cada um é cada um, e o que eu tenho de melhor em mim são as lembranças. Nada pode equiparar-se à sua magnitude. Nada, nem ninguém. Hoje, até quem eu acreditava ter o mínimo de dignidade e humanidade provou-me sua inferioridade. Não me surpreendo, como me surpreendia. Não tento acreditar que é diferente, como tentava. Simplesmente é assim. É triste. É a vida. Aos poucos, uma a uma, máscaras partem-se em pedaços pequenos demais para serem refeitas. É irônico que as únicas pessoas que nunca me deixaram sentir sozinho não estejam sempre comigo. Entretanto, sua influência é tamanha que, apenas a perspectiva de vê-los qualquer dia desses já me basta para acordar e enfrentar todos esses dias sozinho. Apenas nossas memórias já me bastam para sorrir. Saber que vocês existem me é suficiente para fazer-me continuar. Afinal de contas, o que significa quatro meses se comparados a dois anos e meio de separação? Breve, muito em breve, tudo vai mudar. Esses dias obscuros serão, enfim, esquecidos. E, quando o nosso passado tornar-se o nosso futuro, olharei naqueles três pares de olhos que nunca me deixaram, e murmurarei, do fundo de minha alma: "Muito obrigado".

One day the night is ending. It was only an eclipse, and now the sun will reign again. Everything will be fine.
 
[Fernando M. Minighiti][04.08.2011][12:40]

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Retrato

Guardo sua foto. Ela supre a falta que eu sinto aqui dentro. Falta de alguém. Falta de você. Seu rosto, ainda que inanimado, preenche em mim o que nao fui capaz que encontrar sozinho. Olho para sua foto intensamente: Quem sabe você aparece bem do meu lado assim que desviar o olhar. Se eu desviar... Mesmo ainda que em papel, sua fisionomia me ofusca. Mas me sinto abençoadamente bem: Enfim consigo sustentar o seu olhar. Como um ser inanimado pode me fazer sentir vivo? Como posso me perder em sentimentos, fitando apenas uma fotografia? E como posso, ao passo que me sinto bem, sentir essa angustia interna? Em meio a essa confusão de sentimentos, as lágrimas me são inevitáveis. A utopia da situação me machuca. Me deprime. Na maioria das vezes, o mais proximo que chego de tocar-te são em impressões e pensamentos. Fecho meus olhos. Sinto minhas lágrimas. Desejo estar ao seu lado. Desejo ser outra pessoa. Culpo-me, amarguradamente, por desejar o que nunca poderei ter.

[Fernando M. Minighiti][30.07.2011][23:10]