sábado, 9 de novembro de 2013

Idealizador

Sou um idealizador
profissional de talento nato
-de mansões e de choupanas
ao redor da floresta, ao redor do mato.

Sou um idealizador
e não apenas de coisas, não
idealizo frases mundanas
idealizo o afago da mão.

Idealizador de sonhos
-dos sonhos vivos e dos mortos
que tem sepulturas gravadas
nas imagens de velhas fotos.

Idealizo o que não posso
desejo reprimido em meu ser
que reside num escuro porão
sem poder cantar, sem poder viver

Sou idealizador de coisas impossíveis
que navega de mar em mar
-mãos amarradas no leme da vida
navegando sem terra jamais encontrar.

E quando os outros me perguntam
como me revezo de dor em dor
inflo meu peito e seco meus olhos:
"Sou louco. Sou idealizador."

[Fernando M. Minighiti][00:33][09.11.2013]




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Anti-História

Certa vez, ouvi uma canção que iniciava com as seguintes palavras: And now the end is near, and so I face the final curtain. As condições de dramaticidade das quais desfrutava no momento em que a dita música me foi apresentada, obstruíram o que tais palavras poderiam me dizer, no mais profundo âmago. De fato, tudo me foi por demais superficial nas primeiras análises daqueles versos. E hoje, posso arriscar dizer o que elas significam interiormente. Não por dedicar algum tempo à reflexão, já que me seria desnecessária, uma vez que estou vivendo no âmago dessas palavras.
Posso, com toda certeza, dizer que o fim não está próximo, eu o ultrapassei, transpus o final de algo que nunca começou. Estou em chamas. Queimo arduamente cada momento, cada gesto. A cada momento, a cada gesto. Enquanto as chamas tremeluzentes correm meu corpo, um prazer vitorioso que transcende os sentimentos flui por dentro de mim, avisando que a profecia que há muito foi feita, e que ainda ecoa através das chamas em meu ouvido hoje, era falha. Queimo prazerosamente, como se eu implorasse pra que isso não parasse, pois eu sei que o final é outro: Eu não me transformarei em cinzas.
O quanto mudei? O quanto isso foi bom? Mudar faz parte de qualquer ser vivente. A vida é uma mutação. No inicio, preparei-me. Expus-me na mais reluzente vitrine, o rosto elevado, focando o céu imponente e azul, esquecendo-me de reparar no chiqueiro ao qual a vitrine estava exposta. E fui consumido.
Por pior que fosse, seria uma história. E aquele era apenas o prelúdio. Da lama à eternidade. E a lama era apenas o capitulo inicial, a parte onde eram apresentados os personagens (Olá, muito prazer) em suas  piores formas (O prazer é todo meu) e suas expectativas quando o final da história chegasse, quando o momento da eternidade fosse iminente. (Seremos amigos para sempre)
Aquele foi um longo primeiro capítulo. Ou um capítulo 1 eterno? Ou vários capítulos idênticos ao primeiro? Ou então uma história com três longos capítulos, tão longos como três anos? Ou uma história sem capítulos, estagnada, talvez? Meu Deus, aquilo chegou a ser uma história? (Não sei responder a nenhuma dessas questões, quem dirá este meu pensamento mais profundo, mais angustiado e indignado.)
Verdade seja dita,  a obstrução intelectual e a estática de perspectiva eram as palavras de ordem. Nasceste entre os porcos? Então permanecerá entre eles até sua morte. E tal pensamento medieval não me atrai, não me seduz, não me doutrina. Procurei salvar-me, e a quem conseguisse levar comigo. Aquilo não era um lugar para seres "racionais". E, na procura insana pelo capítulo final da história, na minha corrida para a glória, feri-me. Por várias e várias vezes o sangue era tudo o que se passava em meus olhos. O meu próprio. Enquanto as feridas ficavam mais profundas à medida que nos afastávamos, o peso da carga que eu levava - o peso de todos aquele que eram dignos de se salvarem - estava sobrecarregando meus ombros. Até que, por fim, sucumbi. 
Quanto tempo fiquei estático no mais impuro solo é algo impreciso. O fato é que flores mortuárias cresciam ao meu redor, alimentadas pelo meu sangue gotejante, fechando-me em um belo e assombroso túmulo amaldiçoado. E, quando a lua pintava-se de rubi, e o sol perdia sua cor e calor, percebi toda a carga que tinha deixado para trás. De fato, elas permaneciam atrás. Intocadas. Perfeitamente normais. Puras em sua impureza. Viviam, como no início do capítulo, em estagnação de pensamentos. 
Sim. Sangrei para isso. Morri por isso. Dei de minhas forças para salva-los de um eterno capítulo, enquanto a conformidade de um capítulo eterno lhes soava mais atrativa, mas confortável.
Então, corri. E, com a paisagem nojenta, também erra borrado à minha visão imagens de suas hipocrisias, da confecção de suas máscaras e da monstruosidade que elas encerravam. E, pela primeira vez, minha vida real se confundiu com um pesadelo. O que era real, o que deixava de ser, já era irrelevante. Acreditava no que via, no que sentia. E o que eu via era o âmago dos seres mais impuros, e o que eu sentia era repulsa, ódio e mágoa por partilhar momentos dos quais esse âmago era muito bem velado.
Mas sentia também alívio. Sentia que, agora, em meu egoísmo, não sangrava mais, tampouco a dor me torturava. E as terríveis flores funerárias me deixaram, o sol voltou a me aquecer e, a Lua, a me guiar até pela mais negra noite. Não reconhecia mais os campos por onde andava. Definitivamente encontrara a eternidade, mas nunca saí do capítulo 1. Pois agora, refletindo durante longos anos (pelo menos é o que me parece) sobre outros tantos anos (já me perco em relação ao tempo, essa variável insignificante) vejo que nunca houve, da parte alheia, evolução. Nunca houve motivação. Nunca houve desenvolvimento. Nunca houve, então, história.
E eu criei a minha. Do meu elevado posto, desci à mais profunda lama, provei do mais amargo fel, senti a mais negra maldição descer sobre mim, e, mesmo assim, alcançei a glória de um fim digno. Alcançei a eternidade, a glória sozinho. Tropeçando no meu egoísmo.
Agora que os dois fatos foram narrados - podemos chamá-los de anti-história e a  história, que se formou a partir da indigna primeira - segue-se a nota de rodapé - na última ou na primeira página, não sei dizer: Eis que pagará por todo o egoísmo. E, quando percebi que não havia um fim nessa anti-história, uma vez que nunca existiu, eis que alcanço o fim de minha história criada.
E, então, queimo.
Queimo meu egoísmo.
Mas eis que, como já foi dito anteriormente, a profecia errara. (Nota: Reclamar com o editor que colocou uma nota de rodapé falsa)
Por que, enquanto queimava, só enquanto as chamas possuíam cada centímetro do meu corpo, foi que percebi que nem todas as pessoas são como as que conheci. Nem todos partilham da podridão que me foi apresentada. Que nem todas partilham da mesma anti-história. Que há pessoas pelas quais vale a pena continuar a narrar, continuar a escrever, continuar a viver sua história. 
Pois termino do modo como começei, salvo um pequeno detalhe: Não estou sozinho. Estou livre.
Que a história começe.

[Fernando M. Minighiti][08.12.2011][23:05]


sábado, 3 de dezembro de 2011

Laços

Você esnoba
Tudo o que um dia já fomos
Você não se importa
Com o futuro que está morrendo
Eu não volto
Para casa por que eu sei que vou
Encontrar o que costumávamos ser
Aos pedaços.

Estaremos juntos juntos de novo
O fim é sempre como o início.
Estaremos mais uma vez unidos
Na precisão desse gatilho?

Laços criados,
Dos nossos segredos e medos
E sorrisos, e abraços
Até o sangue nas veias impuras
Que devem ser derramados
E unificados.

Eu me forço
A aceitar a mudança
Como uma velha amiga
Mesmo sabendo
Que nada e ninguém
Lhe roubará o seu trono
Então eu volto
Em memórias do passado
Em promessas de futuro
E me ponho a recolher
Os pedaços.

Estaremos juntos juntos de novo
O fim é sempre como o início.

Estaremos mais uma vez unidos
Na precisão desse gatilho?

[Fernando M. Minighiti][03.12.2011][23:53]

 
 
"All my nightmares escaped my head
Bar the door, please don't let them in
You were never supposed to leave
Now my head's splitting at the seams
And I don't know if I can
Here, beneath my lungs, I feel your thumbs press into my skin again"

[Welcome Home. Radical Face]





sábado, 26 de novembro de 2011

O Sol

E eis que o Sol surgiu. Criou-se assim, por vontade própria mesmo. Numa solidão quase que arrebatadora, na ausência de alguma intervenção divina, simplesmente apareceu. Percebeu então, em si mesmo, suas próprias proporções magníficas. Era um titã, um colosso. Perfeito em cada forma, em cada ângulo. Imponente, experimentou de suas chamas o calor irresistível. Apreciou suas chamas, suas explosões colossais. Era poderoso e grande como o Deus o que havia esquecido. Quando, por fim, terminou sua primeira auto-avaliação, voltou seus olhos vermelhos para o que via em volta. Era um lugar estranho aquele. Não havia ser algum lá em baixo. Apenas o nada. Percebeu colinas, talvez montanhas. Cursos de rios que se moviam como cobras sinuosas em direção àquelas grandes áreas azuis que cobriam a maior parte daquilo que iluminava. A princípio, sentiu-se sozinho. Para quê viver, aquecer, não havia ninguém a lhe adorar, santificar? Uma vida sem apoteose valia a pena? Valia, o Sol pensou. Ele era grande o suficiente, reluzente o suficiente para precisar de alguma coisa além de si mesmo. E era assim. Era belo.
Anos passaram. Décadas de luz incandescente. Séculos de grandiosidade. Milênios de explosões abrasadoras, da exposição de sua grandiosidade. Quem se aproximava demais de sua auréola incandescente era penalizado com a morte, por que ele estava se sentindo traído, trocado. Renegado: Agora, sua paisagem havia mudado. Não era natural. Os rios já não pareciam cobras a deslizar, não havia mais solidão: Rotas de objetos voadores pousavam em todos os lugares, em todas as construções que haviam feito. Tanta podridão o enojava. Não era para ele. Abusavam de sua energia preciosa para realizar mais e mais atrocidades. Não que as atrocidades que eles cometiam lhe aborrecesse. De modo algum: Seria um favor que eles destruíssem uns aos outros, até não sobrar nada, pedra sobre pedra. Por que qualquer ser vivo que não o adorasse, que não percebesse o quão colossal e imponente ele era, não merecia nada além da morte. Então, ela veio. Ácida como um veneno, mas linda como uma amante. A Chuva não parava de cair um só momento. Cobriu tudo o que o Sol estava acostumado à ver durante sua existência. Toda a imundice estava sendo lavada até à sua alma corrompida. Tudo estava findando.
E então, aconteceu: Através de toda a acidez, o Sol viu a coisa mais bela de todos aqueles anos solitários. Ele viu, além de toda a água que caía sem parar, um enorme arco, quase um círculo perfeito de cores. As mais belas que havia visto. Nem de longe se assemelhava ao cinza das poluições humanas. E ele desejou tê-las para si. Aquilo precisava ser dele, e o Sol percebeu o quão egoísta fora todos os anos de sua vida. Como pôde ousar imaginar que a sua existência estava completa sozinho? Ele não conseguia mais lembrar-se de como conseguiu continuar sua eterna combustão sem aquele círculo de cor ao seu lado, nem conseguiu mias imaginar como seria sua vida sem ele.
Então, se aproximou das cores. Os respingo batiam em toda a sua extensão, e aquilo doía. Quanto mais se aprofundava, mais dor sentia. Mas elas não representavam muita coisa: ele estava perto daquelas cores hipnotizantes, amáveis, sedutoras. Tomou um último impulso e avançou. A dor foi excruciante, toda aquela água a queimar-lhe o próprio fogo. Então, a água virou uma garoa, e a garoa cessou. Seu corpo estava intacto - ainda queimava imponentemente, mas com a garoa foi-se o arco de luz. E ele estava novamente por si só.
Olhou para baixo: A devastação era completa. Toda a impureza havia sido corroída. Por que será que ele não se sentia mais tão imponente? Tão importante? Era ele um ser colossal, auto-suficiente, não deveria ser assim. E então, pela segunda vez em milênio, olhou-se novamente, e fez sua segunda auto-avaliação. Era mesmo colossal, imponente, abrasador e importante perto daquele fulgaz e indescritível círculo de cor?
E o sol percebeu que não poderia mais ser tudo o que um dia foi sem que aquele Arco-Íris fosse seu - por que quando a chuva se foi em garoa, levando o arco para longe de si, o arco levou um pouco dele junto. O gloriosos Sol estava incompleto.
Séculos passaram-se, e a chuva torrencial por vezes retornava. Com ela, a imagem bela. E, em todos esses raros momentos, o Sol se empenhava a alcançá-la. Mas sempre que tocava a grande cortina úmida, sua grandiosidade a fazia cessar, e o Arco-Íris levava cada vez mais uma parte dele.
E o Sol ficava cada vez mais incompleto, pois a cada investida, mais de si perdia, e mais dor era capaz de sentir. Mas ele não percebia isso. A imagem daquilo pelo qual estava apaixonado aliviava todos esses sentimentos. Até mesmo o fato de que ele nunca poderia possuir o que desejava, o que amava.
O tempo passou. Milênios. Mais do que se pode contar, mais do que se pode expressar. Deve ser o fim do mundo, pensou o Sol, pois ele não imaginava mais como aquele pequeníssimo globo que ele sempre iluminou resistiria à mais aquele chuva torrencial que estava caindo. Ele não ligava mais para as atrocidades dos seres que estavam sendo corroídos agora - eles já eram previsíveis - nem com as belas paisagens que também estavam sendo mortas agora injustamente. Ou se quer com o fato de nem um ser que raciocinasse lhe adorasse. Ele já não era mais o que costumava ser. Estava pequeno e não queria ser mais adorado. Há muitos milênio não queria mais ser adorado, mas adorava. Adorava aquele círculo colorido. Estava amando. Estava amando naquele instante, enquanto a Chuva caía, observava o imponente Arco-íris do outro lado. É agora ou nunca, pensou o Sol. E, como sempre fazia, avançou sobre a chuva, para tocar a beleza que ela guardava tão bem por tanto tempo.
Anormalmente, a dor o atingiu mais do que nunca. Sentiu-se diminuir, morrer, apagar. Sentia que cada combustão estava cansada de existir, que cada chama diminuía, junto com seu corpo um dia imponente. Não sentia mais a água lhe queimar, sentia tanto que não sentia mais nada. Estava deixando de existir.
E a última visão do Sol foi aquele Arco-íris que tanto amava, o objeto de sua paixão. Ele enfim estava próximo o suficiente para dizer suas última palavras: Eu toquei a verdadeira felicidade.
E, antes que pudesse dizer o quanto o amava e o quanto o agradecia por lhe fazer perceber que sozinho ele nunca tivera a felicidade plena, tudo escureceu.

[Fernando M. Minighiti][26.11.2011][13:13]


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Anjo (ou Medo, ou Paranóia)

Todo sentimento precisa de um por que para que se torne compreensível. Tudo o que somos hoje é fruto de um passado que explica e nos dá esses "por quês" necessários para a sanidade mental. Acontece que ela não me é concedida, por mais que eu tenha meus álibis. Como posso rir de sua paranóia, se a minha está me esmagando aos pouquinhos? Temo poucas palavras. Por que sinto que alcanço o céu, e a cada dia que passa sinto-me mais como se vivesse um sonho: E essas poucas palavras são aqueles encontrões que tentam me acordar. Não posso comandar seus sentimentos, mas também não posso acordar disso tudo. Sinto que seria demasiadamente doloroso. Eu acredito na vida, sabe. No que estou vivendo. Mas não passo de um doente, paranóico, amaldiçoado por o que já passou, receoso que aconteça de novo, e no receio me afundo em uma necessidade insana de me certificar que estou vivo, que isso é real, que as poucas palavras não significam pouco amor. Você sabe qual é o anjo que está comigo em todos os instantes, incondicionalmente, na minha mente? Sabe que o maior medo é me ver abandonado e ignorado por ele? Será que sabe me dizer o quê estou fazendo de errado em relação ao anjo? Você pode me compreender, pode me decifrar? Pode me perdoar? Pode me acordar se estiver aí fora?

[Fernando M. Minighiti][23.11.2011][8:32]


Todo sentimento
Precisa de um passado pra existir
O amor não:
Ele cria como por um encanto
Um passado que nos cerca,
Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio
Com alguém que a pouco era quase um estranho,
Ele supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica...

[Beijamin Constant]

Além de todo o medo
No desespero velado
O pensamento mais forte persiste
Além da paranóia
O profundo pedido
A súplica oculta
"Não me esqueça
Não me abandone"

[Fernando M. Minighiti][23.11.2011][8:40]


sábado, 19 de novembro de 2011

Perfeição

Minha exelência em transcrever para as palavras tudo o que me atormenta e o que me desafia talvez seja reflexo da minha enorme dificuldade em expressar tudo o que me faz bem. Então saiba que nada será irá me satisfazer. Por que eu quero a perfeição pra você, mesmo sendo imperfeito. Quero lhe escrever um poema - simetricamente impecável, irresistivelmente tocante. Quero lhe dedicar uma prosa, cascatas de palavras parafraseando meus sentimentos. Mas nada que eu começo fica bom o suficiente pra você. Nada é digno de expressar o que sinto. E o que sinto é que nunca conseguirei expressar o quanto você significa para mim, o quanto representa - e o quanto eu desejo insanamente significar para você. Talvez também não consiga dizer o quanto meus pensamentos são seus, ou o quanto você me modificou. O quanto me fez acreditar que mesmo nos momentos mais obscuros há sempre um meio de encontrar uma luz, um meio de conseguir se guiar, um meio de amar. E muito menos que você é a minha mais doce e bela excessão à regra da minha vida. Minha vida. Que é o que a faz funcionar. Que é pelo quê ela ainda funciona. E mesmo sabendo que nunca serei bom o suficiente para expressar essa e outras gamas de infinitos sentimentos misturados, sinto, também, que você deve ter conhecimento deles, que devo expressar. Mas como alcançar a perfeição? Como alcançar o seu nível máximo? Recolho-me, então, e da forma mais perfeita tento transformar da minha imperfeição esse sentimento que preenche um vácuo que há muito me habitava. Amor. Simples assim.

[Fernando M. Minighiti][19.11.2011][2:40AM]

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Melodia

A dama
E o violino
Tocado
Para o pecado.
Ecos na escuridão.
Aprendeu a viver acompanhada
Pela solidão.

Por que estás trilhando tão escuro caminho?
Por que preferes perder-te de si mesma?
Por que não me permite guiar-te para fora?
Ao menos sabe que és minha mais preciosa estrela?

A vida a completa
Com desesperança.
No pico da loucura
Ela suavemente balança.
E ela se entrega
Aos profundos instintos
À doce, negra melodia
Do violino.

Por que estás tão distante?
Por que preferes esta solidão laciante?
Por que sucumbiu ao mundo, esse farsante?
Ao menos sabe que és minha mais preciosa estrela?

[Fernando M. Minighiti][17.11.2011][20:02]